Mercy Zidane

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Saque no saco de saquê na sacada

Bom... O que dizer sobre isso?

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terça-feira, 16 de agosto de 2016

Alento


Fundir a língua com o pão de forma mofado. Enxergar as telas eletrônicas como um espelho quebrado. Sentir que os passos retos são pendulares. Estou com pressa, não me venha com o que não importa. Onde eu posso jogar um tempinho no lixo depois de um dia a menos?

Quando chega o alento, de tão repetido, perde o efeito. O franzido da testa é afogado pela cerveja. Não há tempo a perder para voltar a perder tempo e confundir a vida com tudo de novo.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Brincadeira olímpica realista

É uma piada meio infame, mas essa é minha especialidade. Uma das promessas do tal legado olímpico para o Rio de Janeiro era a despoluição da Baía da Guanabara - algo que muitos técnicos disseram ser inviável na época do anúncio. Eles estavam certos (veja mais aqui). Para além da insalubridade para os esportistas, a população não vai poder aproveitar dessa opção de lazer quando o evento acabar - e muita gente parece ter levado uma graninha nesse processo, já que há acusações de improbidade administrativa na despoluição.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Audax, Leicester, Islândia e as alternativas de jogo num futebol "pegado"

No começo deste distópico 2016, o modesto Grêmio Osasco Audax, time da grande São Paulo presidido pelo ex-jogador Vampeta e comandado pelo também ex-atleta e promissor treinador Fernando Diniz, fez excelente campanha no campeonato paulista de futebol profissional. Com um elenco repleto de desconhecidos, bateu gigantes como Palmeiras e Corinthians e ficou com um honroso segundo lugar ao término do certame, perdendo a final em jogos duros contra o Santos. A folha salarial da equipe rubra era, em abril, de R$ 350 mil por mês, cerca de 20 vezes menor que a do Corinthians na mesma época.

Atravessemos o Atlântico e vamos à Inglaterra, que organiza o campeonato mais badalado do mundo. Na temporada 2015/2016, o azarão Leicester City venceu um torneio de turno e returno (e não uma copa, mais comum com "zebras"), desbancando Manchester United, Chelsea, Tottenham, Liverpool, Manchester City, etc. A folha salarial da equipe comandada por Claudio Ranieri era de 57 milhões de libras anuais, um quarto da quantia gasta no mesmo período pelo Manchester United, que terminou em quinto lugar.

Ainda em terras europeias, durante a ordeira, pacífica e civilizada Eurocopa 2016 ocorrida na França (risos), uma seleção de um país de 323 mil habitantes chegou às quartas da competição. O time praticamente amador foi comandado por um dentista e eliminou nada menos que a milionária Inglaterra. Na derrota ante os anfitriões, os "vikings" foram valentes e conseguiram marcar dois tentos (5x2 para a França). Heimir Hallgrimsson, o técnico-dentista, ganha R$ 44 milhões de reais a menos por ano que o técnico da Inglaterra, Roy Hodgson.

Após ler esses três insinuantes parágrafos você provavelmente está com a mais terrível das perguntas na ponta da língua: e daí?

Ah, é sempre difícil respondê-la. Mas para sua sorte eu tenho uma teoria de boteco bem aqui na minha manga virtual.

O futebol está absurdamente mais físico e o jogo coletivo tende a prevalecer

Segundo artigo de Fernando Ianni, um futebolista da década de 60 corria quatro quilômetros por partida (sem contar o goleiro, claro). Atualmente, um jogador de futebol pode chegar a correr nada menos que 15,2 quilômetros por jogo, ou seja, quase quatro vezes mais em mais ou menos 50 anos de desenvolvimento do esporte - uma experiência bem bacana para perceber isso é assistir a algum jogo das décadas de 60, 70 ou até 80 do século passado - existem coisas bem legais no YouTube, como as partidas da Copa do Mundo de 1970 (veja aqui o jogo Brasil x Uruguai).

Nos anos 40, a tática WM (3-2-2-3) era bem comum. Surgiu um pouco mais tarde o 4-2-4, que apostava nos pontas de velocidade para furar bloqueios, numa época em que o apoio dos laterais era incomum. Mais algumas décadas depois e o 3-5-2 e o 4-4-2 ganharam muita força, povoando mais o meio de campo para privilegiar a ocupação de espaços e a defesa.

Se o futebol era menos "pegado", teoricamente deveria ser mais comum que um ou outro jogador com incrível capacidade de improvisação, como esses que costumam brotar no Brasil de tempos em tempos, resolvessem jogos e campeonatos, pois a inteligência cognitiva tinha mais espaço para se desenvolver com uma marcação "frouxa".

Em outras palavras, com a preparação física mais nivelada graças à evolução da ciência no esporte em todo o futebol profissional, o esquema tático que privilegia uma peça do jogo muito talentosa fica menos eficiente. Há um punhado de meios de vencer o jogo hoje em dia: com ou sem posse de bola, usando e abusando de contra-ataques de bolas alçadas na área... Mas um que ganhou notoriedade foi o resgatado e desenvolvido pelo Barcelona de Guardiola, inspirado pelo também ex-jogador e técnico Johan Cruijff: troca intensa de passes, compactação, tentativa de recuperação de bola no campo de ataque.

Claro, ele tinha muitos dos melhores jogadores do mundo para realizar esse tipo de jogo entre 2008 e 2012, mas o êxito tremendo acabou influenciando técnicos ao redor do mundo. Ao manter a posse de bola por mais tempo, evita-se o ataque adversário e amplia-se a chance de fazer gols, a marcação intensa facilita a recuperação da posse e a compactação faz com que haja mais opções para construção de jogadas e para organizar o combate.

O Audax pode ser considerado uma tentativa de tiki-taka tupiniquim. Leicester e Islândia nem tanto, mas apostaram também em compactação, marcação alta e saída em velocidade (em maiores ou menores níveis) e obtiveram êxitos importantes. O Corinthians de Tite, Mano e Cristóvão vem praticando um futebol moderno nesse estilo e, mesmo perdendo peças importantes temporada atrás de temporada, se mantém competitivo justamente porque a base do esquema está mantida.

Portanto, para além da retranca e dos chuveiros, táticas comuns a times inferiores em termos técnicos para vencer partidas, a troca de passes e a compactação no futebol de hoje também se mostram efetivas quando bem treinadas, e são mais agradáveis aos olhos, mesmo sendo menos dependentes da improvisação individual.

Será que faz sentido o que foi dito aí em cima? Muita gente vai discordar, já que futebol é essa coisa tão interpretativa e talvez por isso (e certamente por outros motivos) apaixonante.

Por fim, o que dá para cravar sem medo de errar é que esses supersalários da elite do futebol são muitíssimo inflados, e as equipes modestas e exitosas citadas neste humilde artigo comprovam a constatação.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Rotina #3 - Luz


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